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    UMA HISTÓRIA DO CONDE

    UMA HISTÓRIA DO CONDE

    I – TERRA DE TODAS AS CORES

    Município do litoral sul da Paraíba, situado a 13 Km de João Pessoa – capital do estado – que juntamente com Bayeux, Santa Rita e Cabedelo, compõe a chamada “Grande João Pessoa.”

    Limita-se ao norte com João Pessoa e Santa Rita; ao sul, na nascente do Rio Grau, limita-se com Pitimbu e Alhandra; ao oeste, a partir do Rio Gramame, com Santa Rita e ao Leste com o Oceano Atlântico.

    Grande parte das terras do Conde é ocupada por sítios ou granjas de proprietários que, em geral, residem em João Pessoa. A terra também é usada para o lazer, mas há extensas áreas destinadas ao cultivo comercial do mamão, do côco, do inhame e, principalmente, da cana-de-açúcar.

    Com um espaço dividido para produção tipo exportação e granjas, a expulsão dos posseiros é uma dura realidade. Região como a de Gurugi é uma exceção, não só no Município como em toda a Paraíba, pois, após uma longa luta, as terras foram entregues aos antigos posseiros.

    Percebe-se, que a natureza no Conde foi ocupada de forma desordenada. Os rios que cortam o município são: Gramame, Jacoca e Pituaçu.

    O município possui uma das mais belas praias do Nordeste – Tambaba – que o projetou nacional e internacionalmente, ao ser transformada em área de naturismo. Além de Tambaba, no município existem outras praias: Coqueirinho, Praia do Amor, Tabatinga, Gramame e Jacumã.

    Da vegetação típica de Mata Atlântica, pequenos trechos resistiram à ação antrópica. Encontram-se ainda poucos exemplares de jatobá, sucupira, pau-brasil, pau d’arco. Hoje a vegetação é composta por arbustos do tabuleiro, por coqueiros e mamoeiros, que são cultivados pelo homem, por capim, gengibre e pinheiro de praia, por manguezais e samambaias.

    As espécies animais originárias da região são o tatu, a paca, a cotia, o tamanduá. Havia também o veado e o gato maracajá.

    Os solos predominantes do Conde são os arenosos e o mangue. Encontra-se com certa freqüência, terrenos ricos em calcário e outras rochas, o que inclusive dificulta o acesso à água para consumo humano.

    II- JACOCA

    Na obra de Horácio de Almeida, há comentários sobre o processo de conquista da Paraíba, destacando a presença de nativos. O autor fala das trilhas que revelam a presença indígena no caminho que ligava Olinda a Itamaracá:

    “O caminho de Olinda a Igarassu era transitável, mas a partir das terras incultas de Itamaracá, onde depois nasceria o povoado de Goiana, só havia mesmo os trilhos apertados dos índios através dos quais chegou a expedição à margem direita do Paraíba.” (Horácio de Almeida. 1966:76)

    As terras cortadas pelos rios Gramame e Mamuaba, hoje pertencentes ao Conde, faziam parte deste caminho.

    “O caminho antigo, que ia de Pernambuco à Paraíba, depois de passar por Goiana, que ainda não existia, cruzava o Popoca e ganhava as campinas e matagais de Taquara, Alhandra, Cupissura e Jacoca, atravessava o Gramame na junção desse rio om o Mamuaba e, partindo daí saía nas marés onde se bifurcava (…). No tempo da ocupação holandesa ainda era esse o caminho seguido .”(Horácio de Almeida. 1966:76)

    Não se pode assegurar a origem do nome Jacoca. O historiador Horácio de Almeida apresenta pelo menos duas versões: 1) Jacoca seria uma alteração de “yuá-coca”, que significa “a colheita dos juás”, numa referencia clara aos grandes juazeiros que faziam parte da mata nativa da área; ou então, 2) Jacoca significaria “a morada do jacu” (jacu=ave; oca=casa), ou seja, lugar onde moram as aves.

    O certo é que, apesar das dúvidas em relação ao seu nome, sabe-se que se tratava de uma aldeia potiguara (assim como sua vizinha Pindaúna) das mais importantes da região à época do retorno dos Tabajaras e da chegada dos europeus.

    A ocupação da Paraíba pelos portugueses se deu a partir de 1585, às margens do Rio Sanhauá. Nessa época, as sesmarias distribuídas limitaram-se ao litoral, acompanhando as várzeas férteis dos Rios Paraíba, Jaguaribe, Una, Tibiri e Gramame. Nestas áreas desenvolveram-se de forma associada, tanto o plantio da cana-de-açúcar quanto dos produtos de subsistência e a criação de rebanhos que forneciam animais de tração para os engenhos e carne para os trabalhadores.

    Em especial as terras banhadas pelo Gramame, Jacoca e Pituaçu foram doadas a alguns poucos portugueses para a plantação de mandioca e instalação de casas de farinha.

    A ocupação do território brasileiro pelo domínio holandês, deu-se inicialmente na capitania de Pernambuco, o maior centro produtor de cana-de-açúcar da colônia, da época. Com a intenção de consolidar a sua presença no Brasil e defender as posições conquistadas na região do Recife, os comerciantes holandeses deram início à conquista da Paraíba. A cidade de Filipéia de Nossa Senhora das Neves, fundada pelos portugueses em 1584, as margens do Rio Sanhauá, foi tomada pelos holandeses em 1634.

    A guerra contra os holandeses na retomada das colônias pelos portugueses foi muito desastrosa a Paraíba.

    A partir de 1831, o país começou a ser governado por uma Regência, uma vez que o príncipe herdeiro não havia atingido a maioridade que lhe permitia assumir o trono do Império. O governo regencial dividiu a Província da Paraíba em três comarcas, passando a Vila do Conde a integrar a da Capital. Em 1831 as comarcas existentes na Província da Paraíba eram as seguintes. 1) Capital (Conde, Alhandra, Pilar, Montemor e Baía da traição); 2) Areia (Campina Grande, São João do Cariri e Bananeiras) e 3) Pombal (Patos, Piancó e Sousa).

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